Revistinhas no Canadá

O outro dia fui procurar revistas em quadrinhos para meu filho aqui em Toronto. Mas ao procurar revistas em bancas, supermercados e farmácias onde normalmente são vendidas as revistas "pra gente grande" não achei nada. No máximo uma ou outra revista do 'Archie' perto de um caixa de supermercado. Mas nada dos heróis tradicionais que conheci na infância, como o Batman, Superman, Homem-Aranha e Homem de Ferro. Tudo bem, pensava, meu filho ainda não está tão grande assim pra começar a ler esse tipo de estória mesmo.

Mas andando perto de casa vi, meio que por acidente, uma loja especializada, pequena, apertada, que dizia vender cartões e comics, que é o nome que as revistinhas recebem por aqui. Ahá, encontrara a arca perdida. Milhares de revistas de tudo quanto era herói que conhecera - e a maioria outros dos quais nunca ouvira falar - dominava paredes, caixas e prateleiras. Ao que parece, aqui na América do Norte as revistas em quadrinhos normalmente não são vendidas em bancas normais, mas sim em lojas especializadas. Infelizmente, não há tantas lojas especializadas assim, então nem sempre tem uma perto da sua casa.

Mas em Toronto até que temos sorte. Há várias lojas espalhadas pela cidade (recomendo a The Beguiling, perto da Bathurst and Bloor), que vendem as revistas avulsas, com estórias de cerca de 20 páginas, e também as edicões colecionando séries completas de estórias avulsas, com cerca de 100 páginas. Dia de revista nova é quarta-feira, quando chegam dezenas de edições novas nessas lojas. Tem estória de super-herói mas também tem de terror, espionagem, mangá japonês, velhos Tintim e Asterix, estórias para crianças, adolescentes e adultos.

Pra melhorar as coisas, as livrarias e a biblioteca pública também tem em seu acervo várias das edições de coletânea. Acho que não vai ser só meu filho que vai ganhar uma revistinha nova esta semana.

Saiba mais:
- Comic Shop Locator (encontre uma loja de quadrinhos perto de você, na América do Norte)
- Matéria do BlogTO sobre lojas em Toronto (um pouco desatualizada, de 2008)
- DC Comics, editora do Batman e Superman
- Marvel, editora do Homem-Aranha e Homem de Ferro, entre outros
- Comic Book Resources, ótimo blog sobre quadrinhos

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Em terra de cego...

Quem tem um olho é caolho, já diria o ditado.

Incrível o burburinho da última semana em Toronto por conta da presença de David Beckham na cidade, juntamente com seu novo time, o Los Angeles Galaxy, para enfrentar o Toronto FC na liga norte-americana de futebol (sim, o nosso tipo de futebol, e não o futebol americano). Ora, Beckham é um jogador bom, mas longe de ser excepcional. Ele cobra faltas bem, mas não é o melhor do mundo nisso. Ele dá bons passes, mas também há melhores. E convenhamos, bater falta e dar bons passes, até os veteranos do antigo time de Masters do Brasil, longe de sua melhor fase, também faziam com maestria, e talvez melhor que o inglês.

Beckham, com a multidão de "jornalistas" de fofoca, torcedores e fãs que atrai, nada mais é que um grande expoente do marketing mundial. Há vários jogadores em atividade no Brasil que são mais habilidosos que ele, mas poucos no mundo que atrairiam tanta atenção e representariam um investimento tão bom para uma liga que precisa mais do que nunca de atenção. Ele é, mais que um jogador, uma estrela. Casada com outra estrela, acompanhados sempre de perto pela imprensa no melhor estilo de astros de Hollywood (bem, agora realmente também o são, já que se mudaram pra Los Angeles).

Apesar de não ser um Pelé, Ronaldinho ou Zico, é capaz de Beckham ainda se destacar muito em campo quando começar a jogar pra valer pelo seu novo time. Afinal, em uma liga que não tem outros grandes astros, Beckham tem tudo para ser rei.

Ah, ele sequer entrou em campo em Toronto. Mas a torcida lotou o estádio para vê-lo de terno e gravata no banco de reservas. Tudo bem que os torcedores vem dando um bom espetáculo prestigiando e lotando quase todos os jogos em casa do Toronto, que estreou este ano no campeonato. Mas no 0-0 contra o Los Angeles foi batido o recorde de público. Alguém acha que o recorde não foi quebrado por causa de Beckham?

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Filme por assinatura

Confesso, um dos meus vícios em terras canadenses é o canal de filmes The Movie Network (o canal principal e seus quatro canais secundários). Por cerca de $20 ao mês, assino esses canais digitais juntamente com os canais de filmes MoviePix, que se não me engano mostra produções com mais de cinco ou dez anos.

Os filmes novos demoram cerca de um ano entre a estréia no cinema e o lançamento no canal. Muito tempo para quem quer sempre ver os filmes mais recentes assim que possível. Outra opção, claro, é esperar os lançamentos em DVD, cerca de seis a oito meses antes de aparecerem no Movie Network.

O preço, a primeira vista, parece caro e sem dúvida é um luxo, ao qual me dou o direito. Mas se pensarmos que uma mera saída ao cinema em um fim de semana facilmente passa desse valor mensal, a conta já começa a ficar mais interessante. Em termos de aluguel de DVD, por esse valor daria para alugar 4 ou 5 filmes, dependendo da locadora.

Além dos cinco canais com grade de programação variável, há um sexto canal onde você pode escolher o filme que quiser (dentre os pré-selecionados pela emissora) para assistir quando lhe for mais conveniente, quantas vezes achar necessário, sem pagar mais por isso. É o chamado Movie On-Demand, incluído no pacote de assinatura do canal. Fiquei viciado justamente nesse serviço, já que não preciso mais me preocupar em saber quando os lançamentos vão estar passando, nem mesmo em programar o videocassete para não perder as estréias da semana.

Ou seja, se você assiste poucos filmes em DVD por mês, não abre mão de um cinema ou simplesmente não quer esperar para ver os últimos lançamentos, talvez esta não seja sua melhor opção. Mas caso contrário, pode ser uma solução interessante para suprir suas necessidades de cinéfilo.

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