Medo de gripe

Com a chegada da gripe suína ao Canadá, as autoridades de saúde monitoram a situação e a imprensa começa a navegar pelo delicado campo de levar a informação ao público sem causar pânico. Os hospitais, que aprenderam com a lição do SARS em Toronto há uns cinco anos atrás, já foram alertados para reconhecer os sintomas da nova gripe e isolar os pacientes que se apresentarem em condições suspeitas. Vamos agora esperar e torcer para que a situação consiga ser controlada e que o vírus não cause tanto estrago quanto as previsões mais pessimistas indicam que ele pode causar.

Ainda sobre esse assunto mas voltando ao México, realmente impressionante as imagens com a população da Cidade do México usando máscaras para tentar prevenir o contágio. Se a coisa piorar por aqui, vou procurar uma dessas pra mim também pra andar no metrô lotado (espero que não chegue a esse ponto). E você, o que acha da gripe suína?

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Jornal grátis, trabalho idem

Não é de hoje que a imprensa escrita vem passando por maus bocados, sofrendo para se adaptar à concorrência imposta pela Internet como meio de comunicação de massa. Demissões de jornalistas em veículos de diferentes tamanhos acontecem com uma freqüência cada vez maior e já se tornaram lugar comum. Mas desta vez a edição de Toronto do jornal Metro - distribuído gratuitamente - bateu um novo recorde. Demitiu seis funcionários. Quer dizer, demitiu OS seis funcionários que ainda recebiam dinheiro para produzir o jornal. Não, isso não quer dizer que o jornal não será mais publicado. Apenas que será produzido por estagiários não remunerados de agora em diante. Ah, esses estagiários começaram a trabalhar três dias antes dos jornalistas contratados serem demitidos.

Detalhe, se não tem ninguém para supervisionar os estagiários, como é que eles vão aprender o que pode e o que não pode ser feito em um jornal diário? Tudo bem que o jornal ainda vai ter acesso a material de agência, freelancers e outras formas de conteúdo, mas quem é que vai mandar naquela cozinha? Vamos só ver quanto tempo leva a experiência. Mas se a moda pega, cuidado. Seu emprego pode ser substituído por um estágio não-remunerado. Aliás, nesse caso, melhor que estágio seria chamar o trabalho de voluntário mesmo.

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Em terra de cego...

Quem tem um olho é caolho, já diria o ditado.

Incrível o burburinho da última semana em Toronto por conta da presença de David Beckham na cidade, juntamente com seu novo time, o Los Angeles Galaxy, para enfrentar o Toronto FC na liga norte-americana de futebol (sim, o nosso tipo de futebol, e não o futebol americano). Ora, Beckham é um jogador bom, mas longe de ser excepcional. Ele cobra faltas bem, mas não é o melhor do mundo nisso. Ele dá bons passes, mas também há melhores. E convenhamos, bater falta e dar bons passes, até os veteranos do antigo time de Masters do Brasil, longe de sua melhor fase, também faziam com maestria, e talvez melhor que o inglês.

Beckham, com a multidão de "jornalistas" de fofoca, torcedores e fãs que atrai, nada mais é que um grande expoente do marketing mundial. Há vários jogadores em atividade no Brasil que são mais habilidosos que ele, mas poucos no mundo que atrairiam tanta atenção e representariam um investimento tão bom para uma liga que precisa mais do que nunca de atenção. Ele é, mais que um jogador, uma estrela. Casada com outra estrela, acompanhados sempre de perto pela imprensa no melhor estilo de astros de Hollywood (bem, agora realmente também o são, já que se mudaram pra Los Angeles).

Apesar de não ser um Pelé, Ronaldinho ou Zico, é capaz de Beckham ainda se destacar muito em campo quando começar a jogar pra valer pelo seu novo time. Afinal, em uma liga que não tem outros grandes astros, Beckham tem tudo para ser rei.

Ah, ele sequer entrou em campo em Toronto. Mas a torcida lotou o estádio para vê-lo de terno e gravata no banco de reservas. Tudo bem que os torcedores vem dando um bom espetáculo prestigiando e lotando quase todos os jogos em casa do Toronto, que estreou este ano no campeonato. Mas no 0-0 contra o Los Angeles foi batido o recorde de público. Alguém acha que o recorde não foi quebrado por causa de Beckham?

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