Mudanças na imigração?

O governo federal do Partido Conservador continua firme em sua
tentativa de mudar o sistema de imigração para o Canadá. As
autoridades argumentam que o sistema atual - onde o governo tem que
processar todos os pedidos de imigração que chegam até ele, na ordem
de chegada - não é sustentável. Dizem que o número de pedidos
ultrapassa em muito a capacidade de processamento dos diversos
consulados e repartições encarregadas dessa análise, e que em breve
algumas pessoas podem ter que esperar até dez anos para terem seu
pedido analisado.

A solução? O governo quer ter o poder de aprovar mais rapidamente o
pedido de pessoas que trabalham em certas áreas e profissões - aquelas
cuja demanda no país é maior - e rejeitar outras. A oposição alega que
isso daria ao governo um poder de discriminação baseado na função do
imigrante (pessoas que imigram para unir-se aos familiares que já
estão aqui, por exemplo, poderia ser prejudicadas). Para o governo,
caso o Canadá não modernize e agilize seu sistema, pode perder
profissionais muito bem capacitados para outros países com sistemas
mais eficientes, como a Inglaterra e a Austrália.

Eu acho que o país deve ter o direito de escolher qual tipo de pessoa
quer aceitar como imigrante, e qual deve ser a área de formação dessas
pessoas. Afinal, de que adianta aceitar imigrantes muito bem
qualificados que depois não encontrariam ofertas de trabalho em suas
áreas quando chegassem por aqui. E melhorar as chances de encontrar
pessoas qualificadas para aquelas áreas que realmente precisam de
pessoal mais urgentemente no país.

E você, o que acha? Quem está com a razão nisso tudo?

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Dead dog walking

Voce já viu cachorro no corredor da morte? Não? Pois em Mississauga - cidade vizinha a Toronto - tem um filhote de pit-bull nessa condição. O Toronto Star deu em matéria de capa hoje que o pequeno cão esta com seus dias contados, mesmo sem ter feito nada de errado. Tudo porque uma lei de 2005 proíbe a criação de bichos da raça na cidade. Os animais nascidos antes da entrada em vigor da lei se salvaram, mas aqueles que nasceram depois dela são sacrificados pelas autoridades.

O cachorro que está agora esperando a hora de partir para uma melhor chama-se Rambo, tem 10 meses, e cometeu a tolice de fugir de casa na época do Natal. A carrocinha viu, prendeu e não devolveu pra dona, que ainda vai ser processada por criar um animal proibido.

A esperança dela agora é provar, até o dia do julgamento de seu recurso, em fevereiro, que o cão não é pit-bull coisa nenhuma. Se conseguir provar isso, o cachorro volta pra casa. Como estamos perto do Carnaval, será que ele não consegue uma fantasia de poodle pra se livrar dessa?

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Sem tratamento preferencial

A cidade de Toronto já mandou avisar às estrelas de Hollywood que devem aparecer na cidade a partir de semana que vem para o Festival Internacional de cinema que acontece anualmente por aqui: quem fumar em local proibido vai ser multado, como qualquer outro mortal que resolve acender um cigarro onde não pode na cidade. Nada de tratamento preferencial para as estrelas, que terão que obedecer as leis anti-tabagistas da cidade, ou então pagarem a multa depois de satisfazerem seu vício. No ano passado, Sean Penn causou rebuliço durante o festival ao ignorar avisos e simplesmente fumar em local proibido. Na ocasião, não foi multado. Talvez por isso mesmo, este ano a cidade resolveu dar o lembrete antes mesmo do festival começar.

Além do festival, Toronto continua abrigando algumas produções de Hollywood, que decidem vir filmar no Norte para cortar custos (se bem que, com o dólar americano mais baixo, não deve sair mais tão barato assim filmar aqui, pelo menos em comparação a alguns anos atrás). Esta noite iam fechar alguns blocos ao redor da Yonge e College, no centro da cidade, para continuar as filmagens do segundo filme do Hulk, com Edward Norton no papel do pobre cientista David Banner, que se transforma no herói. Mas o monstrengo verde não deve aparecer em Toronto. Ao contrário do infame seriado dos anos 70 (ou 80?), o ator não precisa mais se pintar de verde para incorporar o Hulk, que é criado por computador. Já pensou trombar com um cara grandão pintado de verde em pleno centro de Toronto?

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Anfitrião responsável

Você quer convidar os amigos para uma festa, um churrasco, ou mesmo para seu casamento? Provavelmente vai se preocupar em dar petiscos ou comida pra quem vier para sua festa. E, quase sempre, também vai providenciar uma cervejinha, ou um vinho para os amigos (sem falar no uisquinho, ou até na caipirinha para matar a saudade do Brasil). Tudo ótimo, afinal nada como passar uma tarde ou noite na companhia dos amigos em casa.

Mas cuidado se aquele seu amigo já bebeu demais e teima em pegar o carro para voltar pra casa. Aqui no Canadá, se ele se envolver em um acidente voltando de sua festa, e ficar provado que você forneceu bebida - deu bebida, serviu ou colocou à disposição - em sua festa, você também é considerado culpado e pode ser processado. Pois é, quem diria que aquele anfitrião que só queria alegrar a festa com uma cervejinha poderia ser processado mesmo sem sair de casa?

Qual seria então a solução? Bem, os canadenses mais precavidos, além de não deixarem ninguém embriagado voltar pra casa dirigindo, ou evitam fornecer bebida - fazendo festas onde cada um leva a sua bebida - ou então fornecem meios alternativos de transporte para quem já bebeu demais. Pagam o táxi do sujeito ou até deixam de beber pra levar o convidado pra casa. Parece um exagero, mas na hora em que há o risco de ser processado, todo cuidado é pouco.

Algumas entidades chegam a fornecer material ensinando as pessoas a tomar todas as precauções necessárias se quiserem dar uma festa. Veja um exemplo.

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Apartheid tabagístico

A parede do apartamento é amarela, apesar de nunca ter sido pintada nessa cor. As roupas no armário parece que foram usadas em uma boate esfumaçada, apesar do dono não pisar em uma há uma década. O morador não fuma, mas o cheiro de cigarro dentro da residência é indisfarçável. Como? Trata-se de um apartamento em um prédio residencial, onde grande parte da circulação de ar é feita por meio de tubulações e encanamentos compartilhados entre vários moradores - alguns fumantes.

Depois de proibir o fumo em lugares públicos, incluindo bares e restaurantes, a cidade de Toronto contempla agora banir o cigarro (e charutos, cachimbos, etc) de prédios residenciais. Ou seja, não importa se o apartamento for alugado ou próprio, o fumante pode ser forçado a sair da própria casa se quiser continuar se matando.

Normalmente, minha primeira reação poderia ser contrária à idéia, mesmo não fumando e odiando fumaça. Afinal, se o cidadão não puder aproveitar um vício legalizado dentro de casa, onde mais poderá fazê-lo? Porém, na hora que paramos pra pensar que, principalmente no inverno, a fumaça do cigarro é distribuída com os outros apartamentos que dividem a tubulação de ar, a proposta começa a fazer mais sentido. Afinal, o vício não está se limitando ao fumante, mas também atingindo aqueles que não têm nada a ver com isso. Não é como no Brasil que bastaria abrir a janela e resolver o problema. Dependendo do apartamento, somente umas janelinhas minúsculas podem ser abertas, e elas nunca são suficientes para dissipar a fumaça de um cigarro - ou de um bife na chapa, por exemplo.

Claro que a solução para o dilema não é fácil. Talvez proibir o cigarro de uma vez por todas? Meio radical demais. Criar prédios exclusivos para fumantes? Não sei se esse tipo de apartheid funcionaria. Isolar a tubulação dos apartamentos? Se hotéis tem quartos e andares exclusivos para fumantes, talvez seja hora dos prédios fazerem o mesmo, com sistemas de tubulação exclusivos para cada tipo de apartamento.

Enquanto isso, talvez seja interessante para os não-fumantes procurarem uma casa onde garantirão a qualidade do ar respirado. Ou para os fumantes fazerem o mesmo, para não serem pegos de surpresa por uma medida futura nesse sentido.

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