Até aonde vai a liberdade?

Até onde vai a liberdade em uma democracia? Será que ser livre não exige a imposição de certos limites? Afinal, como podem ser todos livres se a liberdade de um começar a interferir na liberdade dos outros?

Pois é isso que está acontecendo aqui em Toronto estes dias. Revoltados com a situação no Sri Lanka, seu país de origem, a minoria Tamil vem realizando uma série de protestos na cidade (e em outros pontos do mundo) nos últimos meses. Querem chamar a atenção para as dificuldades que vem enfrentando diante do governo no Sri Lanka.

O ato de protestar em si não tem nada de errado. Pacíficos, os manifestantes querem apenas chamar a atenção do governo para que a pressão internacional possa forçar o governo do Sri Lanka a mudar sua atitude em relação ao povo Tamil. Inclusive, muitos dos manifestantes são cidadãos canadenses que apóiam a causa ou vem daquele país. Ou seja, nada demais realizar um protesto pacífico em um país democrático como o Canadá.

Porém, as manifestações vem sendo marcadas por um severo desrespeito às leis e determinações das autoridades, que tentam organizar as manifestações para que a população em geral (que normalmente não tem nada a ver com o objetivo das manifestações) não sofra desnecessariamente. Bloqueios a ruas causaram um grande transtorno no centro de Toronto em algumas ocasiões nos últimos meses, mas neste domingo os manifestantes se superaram. Simplesmente bloquearam por sete horas a Gardiner, uma autopista que corta o sul do centro de Toronto de leste a oeste, próximo ao lago Ontario.

Quem estava na estrada não tinha como sair, e ficou preso durante esse tempo todo enquanto a polícia tentava calmamente remover os manifestantes, sem muito sucesso. Com mulheres, bebês e carrinhos de criança, os manifestantes simplesmente julgaram que sua liberdade de expressão e desejo de chamar a atenção para uma questão realmente importante passava por cima do direito dos outros de irem e virem, ou de simplesmente voltar pra casa depois de comemorar o dia das Mães.

Se queriam chamar a atenção, conseguiram. Mas também atraíram a antipatia de muita gente para sua causa. A meu ver, abusaram da sua liberdade ao interferir com a dos outros.

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Polícia aperta o cerco contra bêbados no volante

Ish, o título do post ficou parecendo manchete de notícias populares. Mas a verdade é que a polícia em Ontario está mais exigente agora quando faz o teste do bafômetro com motoristas embriagados. A partir de hoje, se uma pessoa for pega com um nível de álcool no sangue entre 50 e 80 miligramas de álcool por 100 mililitros de sangue, sua carteira será suspensa por três dias, mesmo que seja a primeira vez que a pessoa comete essa infração. Uma segunda infração nesse sentido resulta em suspensão de uma semana e a obrigação de passar por um curso de reciclagem. Na terceira vez, o motorista alegrinho tem a carteira suspensa por um mês e pode se ver obrigado a dirigir carros com um bafômetro embutido para liberar a partida do motor, por um prazo de seis meses. Ah sim, e o motorista infrator ainda tem que pagar uma multa de $150 cada vez que for pego dirigindo com essa concetração de álcool no sangue.

Antes da nova lei entrar em vigor, quem fosse pego nessa faixa de intoxicação só tinha a carteira retida por 12 horas, mesmo que cometesse a infração várias vezes.

O nível máximo de álcool no sangue permitido aos motoristas em Ontario continua sendo de 0.08. Acima disso, as punições são ainda mais severas que as indicadas acima pra faixa entre 0.05 e 0.08, e incluem multas a partir de $1000, suspensão da carteira por pelo menos um ano. A lista completa das penalidades está aqui.

Por essas e outras, mais seguro mesmo é o velho slogan: se beber não dirija. Se for dirigir, não beba.

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Apertado

Sempre que vamos sair de casa com nosso filho, lembramos ele de ir ao banheiro pra não ficar com vontade de ir no meio da rua. Reclamações à parte, ele acaba indo e tudo acaba bem. Espero que aos poucos ele aprenda a ir sozinho e não precise mais ser lembrado.

Parece que tem gente que não aprendeu a lição quando era pequeno e agora se deu mal já adulto. Um homem perdeu sua carteira de motorista e teve o carro apreendindo quando a polícia o parou depois de flagrá-lo a 120 km/h em uma área aqui em Toronto onde a velocidade máxima permitida era de 60km/h. Ao ser parado, o homem justificou a pressa dizendo que precisava ir ao banheiro. Será que não tinha nenhum lugar por perto onde ele podia dar uma paradinha? Tinha que correr pra casa?

O site da CityTv, que deu a notícia, não entra em detalhes pra dizer se o homem conseguiu segurar sua vontade de ir ao banheiro enquanto era interrogado pela polícia.

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Lutando contra os engarrafamentos

Donos de lojas na Dundas Street West, em Toronto, estão reclamando de um novo projeto de lei que deve ser votado até o fim do mês, proibindo carros de estacionarem nas principais ruas da cidade (incluindo a própria Dundas) durante os horários de pico do trânsito, tanto de manhã quanto à tarde/noite. Os comerciantes alegam que a proibição causaria enormes prejuízos aos estabelecimentos, já que os clientes não mais poderiam estacionar perto de suas lojas. Pessoalmente, acho que se a medida se restringir às principais vias (e não a todas as ruas da cidade, incluindo as menores), pode ser uma boa solução para desafogar o trânsito na hora do rush. Do jeito que as coisas estão hoje, se você está dirigindo (ou dentro de um bonde ou ônibus), pode demorar um tempão pra andar uns poucos quarteirões. Sem os carros estacionados, uma nova faixa inteira abriria-se para desafogar o trânsito.

Quanto aos donos de lojas, cabe uma pergunta. Será que tanta gente assim vai de carro até suas lojas na hora do rush? Você ficaria meia hora no trânsito emperrado para andar uns dois quilômetros e poder parar em frente à sua loja favorita? Ou esperaria para ir em um horário não tão cheio, iria de transporte público ou ainda, pararia um pouco mais longe, em uma rua secundária, e caminharia um pouco até a loja? Se a lei for aprovada, não acho que será o fim do mundo, como os donos das lojas levam a crer.

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