Quinze minutos

Me atrasei hoje na ida ao trabalho. Quinze minutos. Que diferença. As pessoas no caminho para a estação de metrô eram outras. Natural, outras rotinas, outros horários. Eles em seu espaço habitual, eu invadindo uma hora que não me pertencia. Mas muito mais do que isso, esses quinze minutos mostraram quase uma realidade alternativa que eu desconhecia. Ao invés dos tradicionais engravatados e afins, mulheres de tailleur e salto alto, me deparei com estudantes, muitas mochilas e tênis. Risos e conversa mais alta, aliados a bocejos adolescentes de muito sono e preguiça.

A média de idade no metrô deve ser pelo menos quinze anos mais baixa nesse mundo quinze minutos atrasado. E cada vagão deve carregar no mínimo quinze pessoas a menos a essa hora, tamanho o espaço livre a mais que tinha a meu redor. A viagem, infelizmente, não levou quinze minutos a menos, e eu ainda cheguei quinze minutos depois do que deveria no trabalho.

Com isso, saí quinze minutos depois da hora para compensar o atraso. Mas nessa volta pra casa a diferença de horário não compensou. Quinze pessoas a mais por vagão, quinze vezes mais pessoas mal-humoradas, cansadas, desgastadas. Talvez o mundo dos quinze minutos atrasado de manhã volte pra casa quinze minutos mais cedo de tarde. Será que meu chefe aceita um novo horário com meia hora a menos?

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Cartão do pecado

Imagine a cena com o cidadão, recém-chegado ao novo país, sendo indagado sobre o número de pecados que cometeu, ou então sobre seu cartão de pecados.

Pois é isso que um colega do trabalho pensou que estavam perguntando pra ele poucas semanas depois de chegar ao Canadá, enquanto procurava seu primeiro emprego por estas bandas. Falava inglês apenas razoável, então não notou que, ao perguntarem sobre seu SIN number, não queriam saber o número de pecados que cometera, e seu SIN card também não era um cartão que lhe garantia imunidade em caso de cometer um pequeno deslize. Sem graça, não quis mostrar que não entendia do assunto quando lhe perguntavam sobre o tema.

Somente depois de chegar em casa foi pesquisar e descobriu que o SIN nada mais era que o Social Insurance Number (S.I.N.), uma espécie de CPF aqui do Canadá que permite à pessoa receber pagamentos do empregador, bancos e governo. É também o meio pelo qual o governo controla a situação fiscal da pessoa, e uma forma de ver se a pessoa está autorizada a trabalhar no país.

O procedimento para tirar seu SIN é super fácil. Basta ir a um escritório do governo, mostrar documentos que comprovam sua situação no país e aguardar o envio do cartão pelo correio. É importante dar entrada no processo tão logo seja possível após a chegada ao Canadá, para evitar qualquer contratempo. Já pensou receber uma oferta de emprego e não ter o número do SIN para dar ao seu novo patrão?

- Para saber mais sobre o SIN, visite a página do governo federal canadense.

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