Encontrando uma casa

Depois de decidirmos que queríamos nos mudar para uma casa, foi a hora de realmente procurar uma. No começo ficamos olhando o jornal e o site mls.ca para ver as diferentes opções que apareciam, nas mais diversas regiões da cidade. A preferência era sempre para casas que tinham uma 'Open House', isto é, um horário aberto onde os compradores podem chegar e olhar a casa sem compromisso. Normalmente os agentes fazem essas sessões abertas no fim de semana, sábado e/ou domingo, das 2 às 4 da tarde.

Com isso, e sem precisar formalmente contratar um agente, podemos olhar muitas casas e ter uma idéia melhor do que estava disponível, além da faixa de preço em alguns bairros. Em geral, quanto mais longe do centro, mais barato (ou menos caro), dependendo também, é claro, do tamanho da casa e da vizinhança.

Cogitamos morar mais afastado do centro para não precisar comprar algo tão caro (ou tão pequeno), mas aos poucos vimos que nossa realidade não permitiria morar muito longe, onde dependeríamos de trem ou carro. Com os dois adultos trabalhando em horário comercial perto do centro, poderia ser arriscado de, em um dia com muita neve, por exemplo, nenhum dos dois conseguir chegar a tempo de buscar nosso filho na creche da escola (normalmente funcionam até as 6 da tarde). Sem contar o tempo de deslocamento e preço das passagens de trem (entre nós dois, gastaríamos quase $250 a mais em passagem de trem para um subúrbio aqui perto do que simplesmente usando o transporte em Toronto). Decidimos então que seria melhor morar em Toronto.

O engraçado foi que, depois de decidir que íamos morar por aqui mesmo, ao invés de procurarmos qualquer casa em qualquer região da cidade, preferimos procurar com base nas escolas disponíveis para nosso filho. Optamos por uma escola católica, com imersão em francês, e a partir daí restringimos um pouco mais nossa área de busca.

Infelizmente o mercado no final do verão não estava nada bom, e poucas casas estavam à venda na região em que estávamos procurando. Foi nessa hora que resolvemos dar o passo seguinte: procuramos nosso banco para ver quanto poderíamos receber de financiamento e contratamos nossa agente para o caso de encontrarmos uma casa termos como fazer uma oferta rapidamente (com poucas casas no mercado, elas estavam sendo vendidas bem rápido na região, principalmente quando eram boas e estavam com um preço justo).

Minha mulher já tinha visto tanta casa nas "open house" que fomos que já tinha uma boa idéia do que estava disponível. Com isso, quando apareceu a casa que acabamos comprando, ela sabia que era um bom negócio assim que entrou na mesma. Infelizmente outras pessoas também acharam o mesmo e fizeram ofertas no mesmo dia em que ela foi colocada no mercado. Ou seja, tivemos que correr atrás e entrar em um temido leilão pelo imóvel. Acabamos pagando um pouquinho a mais do que era pedido pelo vendedor inicialmente, mas fechamos o negócio ali mesmo e nos mudamos depois de 60 dias (no começo de outubro).

Depois foi colocar o nosso apartamento à venda e torcer pra ele ser vendido logo (já pensou ficar com duas hipotecas por muito tempo? Not a good idea). Incrivelmente, ele também foi vendido no dia em que foi colocado à venda, pelo preço que queríamos, e com entrega das chaves também para outubro. Beleza pura.

Outubro veio e foi e agora já estamos curtindo o novo lar. E o filhão mais feliz que nunca, aproveitando cada canto da casa.

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Procurando uma casa

Eu morei quase toda minha vida em uma casa, mas quando estudante, sempre morei em apartamento no Brasil. Depois de casado, idem. Minha esposa sempre morou em apartamento desde que nasceu, e nunca tivemos nenhum grande problema com isso em terras tupiniquins. Com isso, quando nos mudamos aqui pro Canadá, optamos por morar em um apartamento, cientes de que talvez nesse princípio de vida por aqui não iríamos ter tanto tempo livre pra nos dedicar a cuidar de uma casa. E também porque para nós a opção por um apartamento era super normal.

Mas com um filho pequeno, aos poucos fomos analisando os prós e contras de mudar para uma casa. Afinal, ao contrário de nós, criança pequena às vezes quer cantar alto quando acorda, correr feito um doido às nove da noite ou seis da manhã, pular do sofá pro chão, empurrar carrinho por todos os cantos em cima de um chão nem sempre silencioso. No Brasil acredito que as pessoas são mais acostumadas com isso e podem até tolerar o barulho feito por crianças com mais naturalidade (nem sempre, eu sei). Aqui, principalmente se no seu prédio morarem apenas pessoas sem crianças (o que acontece em grande parte dos casos), nem sempre vai haver tanta compreensão.

Entre cortar ainda mais a liberdade de uma criança que já tem privações demais por estar longe da família do Brasil e por passar o dia todo na escola e/ou creche cheia de regras, decidimos encarar o desafio e procurar uma casa pra morar. Apesar de dar (muito) mais trabalho, a casa poderia proporcionar mais liberdade pra deixar a criança ser criança dentro de casa, e também fora, com um quintal pra correr e mais vizinhos com criança nas imediações.

Depois de tomada a decisão, era "só" começar a procurar algo que se encontrasse dentro do orçamento dado pelo empréstimo bancário somado às economias e enquadrado aos gastos mensais. Mais aí já é um outro capítulo.

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Verão corrido

Nossa, nem acredito que já estamos em novembro. Onde foi parar o verão? Verdade que em termos meteorológicos ele não deu muito as caras aqui por estas bandas de Toronto, mas em termos de correria e coisas pra se fazer...

Sei que não é muito desculpa pra ter abandonado o coitado do blog, mas até que os últimos meses foram movimentados. Tanto é que o outono também já quase se foi (e ueba, em relação ao tempo agora não temos do que reclamar, com dias bem 'quentinhos' por aqui).

Primeiro, casamento do meu irmão que mora por aqui também, com vinda de familiares do Brasil e passeios e outros compromissos. Depois, procura (e que procura) e compra de uma casa. Mudança, inclusive da escola do filho, reforma, etc. Ah, e prova e cerimônia da cidadania canadense.

Agora parece que as coisas acalmaram um pouco (será mesmo?). De qualquer forma, vou tentar retomar o barco aos poucos e ir contando um pouco sobre esses acontecimentos passados e outros do cotidiano por aqui.

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Greve

Alguns trabalhadores da cidade de Toronto estão em greve já há dois dias reclamando por melhores benefícios. Entre as principais reivindicações dos trabalhadores está um banco de horas para dias de licença saúde. Não que os funcionários não tenham direito a se ausentar. Na verdade, tem 18 dias dessa licença por ano. Só que querem que os dias que não forem usados sejam computados em um banco de horas que seria pago integralmente quando da aposentadoria ou fim do emprego do funcionário. Ou seja, se você tem direito a ficar 18 dias por ano doente e só ficar 9, pode receber mais 9 dias de salário quando da sua aposentadoria. Detalhe, você já terá recebido o salário normal por aqueles dias trabalhados.

Quem está se dando mal com essa estória é, mais uma vez, a população da cidade, que está tendo que se virar pra se livrar do lixo acumulado na porta de casa. Ou então quem depende das creches mantidas pela cidade e cujos funcionários também estão em greve (nem todos os funcionários municipais estão em greve, apenas um grupo que faz parte de um dos sindicatos existentes). Outros serviços, como balsa para a ilha de Toronto, aulas e atividades recreativas nos parques (que têm instrutores pagos pela cidade) também foram afetados.

Quem quiser afogar as mágoas por conta da greve pode ficar ainda mais chateado nos próximos dias, já que à meia-noite de hoje os funcionários do LCBO - loja que vende vinhos, destilados e cerveja aqui em Ontário - também ameaçam entrar em greve. Esta greve não está relacionada à outra, mas pode coincidir com ela. Hoje muita gente, principalmente donos de restaurantes e bares, correu pras lojas pra estocar a adega pro caso da greve realmente acontecer.

Pelo menos o transporte público - ainda - está funcionando.

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Se alguém roubar sua loja, fique quieto

Tem coisa que parece que saiu direto de um filme de Hollywood. No último sábado, o dono de uma loja no bairro de Chinatown aqui em Toronto saiu correndo atrás de um homem depois de identificá-lo como o ladrão que havia roubado cerca de $60 em plantas de sua loja na manhã daquele dia. Segundo o lojista, o homem estava em uma bicicleta e levou as plantas, que estavam expostas do lado de fora da loja. Ao confrontar o mesmo homem mais tarde no mesmo dia, o dono da loja e mais dois empregados se viram em meio a uma perseguição a pé atrás do suspeito, que largou sua bicicleta e também saiu correndo. O ladrão foi alcançado, e depois de uma pequena briga, rendido e amarrado pelas mãos e pés. O dono da loja então colocou o homem em uma van e chamou a polícia. Quando a polícia chegou, prendeu não apenas o suposto ladrão, como também o vendedor e seus empregados, sob acusação de agressão e seqüestro. E o que é pior: o suposto ladrão foi solto ao pagar uma fiança de $1000. O dono da loja? Solto depois de pagar fiança de $7500. Não é à toa que outros lojistas da região e consumidores estão revoltados com a polícia e com o tratamento dado pela justiça ao caso até aqui. Afinal, se a polícia não está presente para evitar coisas desse tipo, será que os vendedores não podem fazer nada a não ser ficar chorando suas pitangas? O vendedor não matou, atirou ou fez justiça com as próprias mãos como um vigilante dos filmes americanos, apenas imobilizou o suposto ladrão como pode e CHAMOU a polícia para lidar com o caso. Depois não apenas pagou uma multa muito maior que a do suposto ladrão, como teve que aguentar ameaças vindas do filho deste, que apareceu na mesma loja ontem, reclamando que o pai apanhou (tadinho, ele só estava roubando, precisava bater nele?). Mais detalhes desta inacreditável história no Toronto Star de hoje.

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Nome afeta chances de emprego

Quer que seu filho tenha boas chances de emprego quando crescer aqui no Canadá? Então melhor chamá-lo de John, Robert, Peter, Mary, Jane ou Elizabeth. Ou algum outro nome em inglês. Segundo um novo estudo realizado pela Universidade de British Columbia, pessoas com nomes anglófonos tem 40% mais chances de serem chamados para uma entrevista de emprego que pessoas com nomes estrangeiros, como chineses, indianos e paquistaneses. Ou seja, apenas comprova o que muitos imigrantes já desconfiavam. Não importa a formação e a experiência fora do país, alguns imigrantes tem real dificuldade de serem chamados para uma entrevista - e mais ainda de conseguirem um emprego sem a chamada experiência canadense. Segundo o site canada.com (http://www.canada.com/Business/anglo+names+barrier+hunters+Study/1613611/story.html), teve gente mudando até sobrenome e conseguindo muito mais retorno aos currículos enviados para entrevistas de emprego. Um homem com sobrenome Mustafa, por exemplo, mudou esse nome pra Martin e começou a ser chamado para entrevistas às quais não tinha acesso anteriormente. E aí, que tal trocar seu nome de Pedro pra Peter e de Silva pra Smith? Será que chamam o Peter Smith mais vezes que o Pedro Silva?

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Racismo no Canadá

Uma nova pesquisa realizada pela Universidade de Toronto mostra que muitos imigrantes não se sentem inseridos na sociedade canadense, mesmo depois de alguns anos por aqui. E pior, esse sentimento de não fazer parte da sociedade geralmente está ligado à cor da pele da pessoa. O fator parece ser mais significativo que outras diferenças culturais ou de religião, e derruba a noção que muitos possam ter sobre o Canadá como país multicultural que aceita bem todos os imigrantes. O Toronto Star traz uma matéria com mais informação sobre o assunto em sua edição de hoje.

Claro que muita gente aqui não tem ou exibe preconceito contra imigrantes. Afinal, isso é considerado crime. Mas a realidade é bem diferente para algumas pessoas visivelmente membros de uma minoria racial, que sofrem preconceito velado ou mesmo aberto. Infelizmente, noções racistas e de superioridade racial estão presentes em qualquer lugar do mundo, seja qual for o nível de desenvolvimento geral do país. Alguns países podem ser piores que outros nesse sentido, claro, mas nunca se está livre de algo assim.

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