Tudo-automático

Lembro ainda de quando começaram a aparecer os primeiros caixas-automáticos de bancos. Não, não quero mostrar que estou ficando velho, apesar de essa ser uma constatação óbvia diante da primeira afirmativa. Ficava sempre meio surpreso, e até certo ponto chateado, ao ver os caixas "humanos" do banco recomendando que usássemos os caixas-automáticos. Dava vontade de perguntar se eles não sabiam que quanto mais gente usasse os caixas-automáticos, menos caixas "humanos" precisariam ser empregados para dar conta do atendimento pessoal aos clientes. Claro que provavelmente sabiam disso, e apenas seguiam ordens do próprio banco para incentivar o uso das máquinas que acabariam por lhes tirar o emprego. Afinal, sairia bem mais barato pros bancos "empregar" a máquina que o "humano", sem contar que a máquina seria mais eficiente. Os clientes, depois de passar por um treinamento de choque para aprender a lidar com os "novos funcionários" até que passaram a preferir essa nova opção, por conta da praticidade e rapidez, sem contar o horário mais longo de atendimento, incluindo noites e fins de semana.

Não sou contra o uso de caixas automáticos, não me interpretem mal. Só quis trazer de volta essa primeira impressão que tive anos atrás como forma de associação com o que vejo acontecendo aqui no Canadá em diversos outros setores. Sempre que possível, parece que estão estudando formas de usar máquinas ao invés de pessoas no atendimento ao cliente. Não fica só no banco - que, claro, também usa os caixas automáticos por aqui.

Você vai ao supermercado e não quer pegar aquela fila onde uma família de seis pessoas vai passar três carrinhos com as compras do mês? Não se preocupe. Use o caixa automático. Você mesmo pode passar os produtos no scanner, que lê automaticamente o código de barras e registra o preço. Depois você coloca o produto na sacola e a máquina nota a diferença do peso na sacola para saber que você já colocou o produto ali depois de registrado e está próximo para registrar o próximo. Se é um produto sem código de barras, como fruta ou verdura, coloca em uma balança e escolhe na tela o nome do produto. Um fiscal do supermercado acompanha quatro, seis ou oito caixas automáticos para ver se está tudo em order e tirar as dúvidas dos clientes. Sei não, mas acho que o sistema só funciona para pequenas compras. Ainda não vi muita vantagem em ter que fazer o trabalho do caixa e pagar o mesmo que os outros que só tem que colocar as coisas na esteira, esperar o caixa registrar tudo e dar o dinheiro no final.

Pelo menos nos postos de gasolina há uma diferença no preço - ainda que pequena - entre a opção de fazer tudo sozinho ou ter um frentista para colocar gasolina no seu carro, checar o óleo, etc. Mas o pessoal daqui é tão acostumado a fazer as coisas por conta própria que chega a evitar os postos com frentistas - e não é só pelo preço, parece que é uma coisa anti-social, de evitar muito contato com o atendente mesmo. As bombas permitem que o pagamento seja feito na própria bomba. Ou seja, se não quiser a pessoa não precisa nem mais entrar na lojinha de conveniência para pagar o funcionário do estabelecimento.

Máquinas de refrigerante, salgadinho, café, chocolate quente, jornal, passagem de ônibus e metrô, lava-jato, estacionamento, aluguel de DVD, foto 3x4... Fica cada vez mais fácil se isolar. Daqui a pouco - se é que ja não existe - arrumam a máquina blogator automatic plus 2000 pra quem quiser fazer um blog mas não gosta muito de escrever. Basta apertar um botão e a mensagem do dia sai prontinha, publicada e formatada na página do sujeito.

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