O planeta pede socorro

O outro dia fiquei assustado com a quantidade de lixo que geramos lá em casa, só eu, minha mulher e meu filho pequeno. Só de fraldas vão umas quatro por dia (quando ele era menor a quantidade era ainda maior). Assino um jornal, que rapidamente se acumula e vira um montinho de uns cinco quilos a cada semana - quem não conhece o jornal de sábado daqui não acredita como isso é possível. Produtos industrializados vêm em caixas, plásticos e garrafas que não acabam mais. E olha que até considero meus padrões de consumo baixos. Pelo menos em comparação a outras pessoas que vejo por aí.

Não por acaso, li hoje que o Canadá é o terceiro país em um ranking sobre o consumo dos recursos naturais, quando levado em conta a média de consumo por pessoa. Carros, alimentos e outros bens de consumo amplamente disponíveis, alto uso de energia principalmente nos meses de inverno para manter casas e prédios aquecidos, e um estilo de vida onde o prático e descartável muitas vezes são privilegiados ajudam a entender como o país atingiu essa posição nada invejável, sendo superado somente pelos Emirados Árabes Unidos (!) e pelos nossos vizinhos do sul, os EUA, na chamada "pegada ecológica" analisada em um estudo publicado por uma organização ambientalista mundial.

Segundo o relatório Planeta Vivo, do WWF, o Brasil até que não está tão mal, aparecendo mais próximo da média mundial de consumo e bem abaixo dos exagerados países desenvolvidos. No caso brasileiro, bem como a de outros países em desenvolvimento, o problema maior fica por conta da perda de biodiversidade - algo que os países desenvolvidos há muito já perderam e não têm muito mais para perder. O preocupante é que mesmo o padrão de consumo brasileiro está acima do que o planeta poderia suportar. E o pior, os padrões de consumo da maioria dos países que ainda estão na parte de baixo da lista está crescendo, o que aumenta a "pegada ecológica" deixada por cada um de seus habitantes. Imaginem só uma China com seu bilhão de habitantes consumindo recursos do jeito que os americanos e canadenses o fazem. Socorro!

Em todo caso, vou tentar diminuir meus hábitos de consumo daqui pra frente. Não sei se vai fazer muita diferença - provavelmente não -, mas pelo menos posso dormir um pouco mais tranqüilo por estar fazendo minha parte. E o Rafa que trate de aprender a usar o penico!

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