Ar limpo?

O mundo está indo pro buraco. Sim, não adianta chorar nem espernear, as mudanças climáticas estão aqui e mesmo que o homem mude radicalmente sua forma de vida e consumo daqui pra frente, muito do estrago já está feito e sentiremos seus efeitos nas próximas décadas, ou melhor, nos próximos anos. Diante de tal cenário desanimador, o que fazer? Desistir logo e continuar vivendo sem respeitar o planeta, já que essas mudanças são irreversíveis? Ou tentar mudar para limitar os danos ao estrago já feito, torcendo para que essa mudança de atitude possa controlar o problema a curto prazo e estabilizá-lo a longo prazo?

O governo canadense parece ter escolhido a primeira opção. Ontem foi anunciado um novo plano do governo em relação à emissão de gases poluentes que simplesmente joga o acordo de Kyoto - assinado pelo Canadá - no lixo e sugere novas medidas para reduzir a emissão de poluentes pela metade. Até 2050!

Sim, é verdade que as medidas sugeridas em Kyoto não foram tão práticas assim e muitos podem argumentar que eram mais retórica que qualquer outra coisa. Porém, o Canadá assinou o tratado e o desrespeitou. Teria que chegar a emissões 6% abaixo dos níveis de 1990 até 2012. Atualmente, emite 30% a mais de poluentes do que há 16 anos atrás, e não teria como reverter o quadro nos próximos seis anos para chegar ao patamar exigido pelo acordo. Ao propor um novo plano com uma meta a longuíssimo prazo, o governo simplesmente oficializa esse desrespeito com o compromisso assumido anteriormente. Empurra também com a barriga o problema até pelo menos 2020, quando começaria a fase do projeto canadense que realmente exigiria o início das reduções nas emissões de poluentes.

Como disse o líder do Bloc Québécois, Gilles Duceppe, o projeto parece ter sido feito em Alberta - província com grande interesse da indústria do petróleo, e onde o primeiro-ministro Stephen Harper fez sua carreira política -, depois de ter sido escrito em Washington - os EUA não assinaram o tratado de Kyoto.

Seja como for, fica difícil acreditar em uma solução para reduzir efetivamente as emissões de poluentes. Vamos mesmo para o buraco.

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